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Semicondutores

Febre da IA: Coreia do Sul exporta US$ 60 bilhões em chips num único mês

As exportações sul-coreanas de semicondutores mais que triplicaram em setembro, puxadas pela demanda de memória para inteligência artificial. Entenda o que está por trás do número e por que mercados de memória costumam ser instáveis.

04 de outubro de 2026 · por Equipe Entendendo o Futuro · ⟳ Atualização automática

Em 1º de outubro de 2026, o Ministério do Comércio, Indústria e Recursos da Coreia do Sul informou que o país exportou US$ 120,9 bilhões em setembro, recorde mensal. Mais da metade veio de um único produto: semicondutores, com US$ 60,3 bilhões, alta de cerca de 263% sobre setembro de 2025. É a primeira vez que as vendas mensais de chips do país passam de US$ 60 bilhões.

O que é / como funciona

A Coreia do Sul é a casa da Samsung e da SK hynix, duas das maiores fabricantes de chips de memória do mundo. Memória é onde o computador guarda os dados com que está trabalhando. Existem tipos diferentes:

  • DRAM: a memória "de trabalho", rápida, usada em celulares, PCs e servidores.
  • HBM (memória de alta largura de banda): várias camadas de DRAM empilhadas e ligadas bem perto do processador. É o tipo usado nos aceleradores de IA, porque modelos gigantes precisam mover quantidades enormes de dados a cada segundo.
  • NAND (flash): armazenamento permanente, como em SSDs.

Treinar e rodar modelos de IA exige data centers lotados de aceleradores, e cada acelerador precisa de muita memória. Com a demanda crescendo mais rápido que a capacidade das fábricas, os preços sobem — e o valor exportado dispara.

Por que importa

O número mostra onde está um dos gargalos físicos da inteligência artificial: não basta ter os processadores, é preciso memória para alimentá-los. Ele também mostra quanto a economia sul-coreana passou a depender dessa onda: os chips responderam por cerca de metade de tudo que o país vendeu ao exterior no mês, e o saldo comercial chegou a US$ 49,85 bilhões, valor sem precedentes. As exportações para os EUA subiram 137% e para a China, 123%, com peso grande de semicondutores.

Evidências

  • Exportações totais: US$ 120,9 bilhões (+83,5% em um ano); importações: US$ 71,09 bilhões.
  • Semicondutores: US$ 60,3 bilhões (+263%), segundo o governo, por causa de "maior volume embarcado e preços mais altos".
  • De janeiro a setembro, o acumulado passou de US$ 800 bilhões; o ministro da Indústria, Kim Jung-kwan, disse que o país está a caminho de US$ 1 trilhão no ano.
  • Do lado da oferta, a americana Micron afirmou que a memória deve continuar "apertada até 2028", com mais de 75% da produção de 2027 já comprometida, segundo resumo da SemiEngineering.

O que ainda pode dar errado

Memória é o setor mais cíclico dos chips. Quando os preços sobem, as fabricantes investem em novas fábricas; quando essa capacidade fica pronta, pode sobrar produto e os preços despencam. Isso já aconteceu várias vezes — a última grande queda foi em 2022–2023.

Parte importante do salto é preço, não só volume. Se a demanda por data centers desacelerar — por exemplo, se as empresas de IA reduzirem investimentos ou se os modelos ficarem mais eficientes no uso de memória — a receita pode cair rápido. A base de comparação também ajuda: setembro de 2025 foi um mês bem mais fraco, o que infla a porcentagem.

O próprio ministro citou o protecionismo global e as tensões no Oriente Médio como riscos. E há concentração: quando um país depende tanto de um produto, um tombo no ciclo atinge a economia inteira.

Para acompanhar

  • Dados de exportação de outubro, divulgados no início de novembro.
  • Resultados trimestrais de Samsung, SK hynix e Micron, com sinais sobre preços e capacidade.
  • Anúncios de novas fábricas de memória (um aumento grande de oferta pode virar o ciclo).
  • Planos de investimento em data centers das grandes empresas de tecnologia.